O que há de novo, Dylan Dog?

Começou a sair por aqui em dezembro, pela Mythos Editora, a Nova Série de Dylan Dog, revista que apresenta uma repaginação do personagem. Essas histórias começaram a ser publicadas na Itália em 2014 e estão chegando às bancas brasileiras bimensalmente.

O que está sendo chamado de “Nova Série” pela Mythos são as edições da revista regular do investigador a partir do número 338 da edição italiana, que reformula o personagem. Entre as novidades estão a aposentadoria do Inspetor Bloch, a chegada de um novo nêmesis para o herói, a inclusão de mais diversidade (uma detetive muçulmana passa a fazer parte do elenco) e até a inevitável rendição de Dylan ao uso da tecnologia.

Dylan Dog
Inspirado no visual galanteador do ator Rupert Everett, Dylan Dog continua protagonizando ótimas histórias de horror!

Em paralelo, a Mythos segue publicando a série clássica do Investigador do Pesadelo (pré-edição 388 da numeração italiana), também bimestralmente. Dessa forma, há Dylan Dog nas bancas todo mês, seja na fase clássica ou na moderna.

HISTÓRIA NO BRASIL

Quem acompanha a trajetória do ex-policial da Scotland Yard, que parou de beber e começou a investigar casos paranormais, sabe o quanto é surpreendente ver duas séries do herói sendo publicadas no Brasil. Afinal, todas as passagens de Dylan por terras tupiniquins tiveram curta duração.

A Record começou publicando Dylan por aqui, em 1991. A Globo publicou uma edição e a Conrad arriscou uma série periódica no começo dos anos 00. A partir de 2002, a Mythos começou a publicar o personagem em um formatinho com papel jornal e essa foi a edição mais longeva de Dylan por aqui – 40 edições em quatro anos. Depois disso, o investigador do pesadelo ficou mais de uma década na geladeira até voltar em três edições pela Lorentz em 2017. A Mythos finalmente retomou o personagem em 2018.

Dylan Dog 1
A estreia de Dylan no Brasil, pela Record, durou apenas 11 edições.

Apesar de Dylan não ter tido tanto apelo por aqui, os italianos nunca deixaram de demonstrar seu amor pelo personagem, que foi criado em 1986 pelo roteirista Tiziano Sclavi para a Sergio Bonelli Editore. Até fizeram um festival de cinema em sua homenagem: o Dylan Dog Horror Fest, que durou de 1987 a 1993.

Em suas histórias, que mesclam terror com boas pitadas de humor e erotismo, Dylan enfrenta todo tipo de criatura sobrenatural enquanto lida com romances e com as piadas inoportunas de seu ajudante, o carismático Groucho (inspirado no comediante Groucho Marx).

Os desenhos em preto e branco, sempre ricos em detalhes, trazem ainda mais peso para as narrativas. É simplesmente impossível virar as páginas sem ficar admirando cada um dos quadros.

PUBLICAÇÃO TARDIA

Para Julio Schneider, que traduz os quadrinhos da Bonelli desde 1999, Dylan Dog chegou atrasado ao nosso país. “O gênero terror teve uns trinta anos de sucesso no Brasil, entre as décadas de 1950 e 1980, e o fervor praticamente se apagou pouco antes do surgimento do Investigador do Pesadelo. Por isso, embora seja um personagem bastante apreciado por aqui, não tem aquele apelo de massa que teria tido na época áurea do terror”, explica o tradutor.

Dylan Dog - Mignola
Mike Mignola, autor de Hellboy, chegou a ilustrar capas do DD. No Brasil, estas edições foram publicadas pela Conrad.

Com seis números lançados pela Mythos e o sétimo a caminho, já se pode dizer, pelo menos, que o padrão das histórias continua altíssimo e que as atualizações feitas garantem um diálogo maior com o público mais jovem sem afastar os fãs de longa data. Mas Schneider reconhece que Dylan Dog tem uma barreira enorme para enfrentar, já que ainda se lê muito pouco no Brasil.

“Ler dá trabalho, deve-se correr os olhos pelo texto, captar o que se diz e interpretar. É só para os fortes!”, afirma Schneider. “É mais fácil o entretenimento passivo, em que só precisa olhar para a tela (da TV, do cinema, do celular, do computador…) e deixar as imagens passarem sem esforço. Muita gente não entende que é como a saudável corridinha diária: nas primeiras vezes é meio cansativo, mas quando se acostuma, não se consegue mais ficar sem esse prazer”, argumenta ele.

Para quem é forte e quer conhecer melhor o personagem, Schneider indica cinco histórias capazes de cativar os leitores instantaneamente: “as sensíveis, que tocam na alma: Johnny Freak (n° 1 da Conrad), O Longo Adeus (n° 5 da Mythos) e Mater Morbi (o n° 3 da Lorentz), a intrigante Alguém Chama do Espaço (n° 7 da série atual da Mythos) e a irônica Os Fantasmas Guardiões (n° 8 da Nova Série da Mythos)”.

Dylan Dog - Johnny Freak
Publicada em 1993, Johnny Freak ainda é considerada uma das melhores histórias do herói

Ao nosso velho e querido Dylan, só nos resta desejar muito sucesso para continuar surpreendendo e aterrorizando os brasileiros por muitos e muitos números!

DYLAN DOG

Periodicidade: bimestral

Preço: R$ 26,90

DYLAN DOG NOVA SÉRIE

Periodicidade: bimestral

Preço: R$ 26,90

Onde achar online: Loja Mythos

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