Review: Grand Prix Metanoia

Tem desafio maior do que resenhar um quadrinho de Luciano Salles? No caso de Grand Prix Metanoia, obra recém-lançada do autor, o desafio (talvez) seja fazer a resenha sem dar spoilers.

Nas palavras do próprio Luciano, a história se passa em um deserto de areia e sal, onde uma corrida entre dois pilotos irá para além de suas habilidades e da desejada bandeirada final, transcendendo de forma dura e questionadora a realidade entre eles.

Toda essa ideia fica bem definida logo nos primeiros quadros e, nesse momento inicial, o que mais impressiona é a mudança de estilo entre esse gibi e os trabalhos anteriores do quadrinista. Peço, por favor, que não me entenda mal. Basta uma folheada nas páginas para reconhecer que Grand Prix Metanoia é uma obra de Salles, mas ainda assim ela é diferente.

Representando uma forma de recomeço, como o próprio autor disse nesta entrevista para o Pão Com Lixo, Metanoia tem textos menos complicados, mais próximos de como falamos normalmente, mas sem perder a sensibilidade ou os questionamentos filosóficos.

Os desenhos também se mostram diferentes. Valorizando bem o preto e o branco, Luciano enche nossos olhos com dinossauros mega detalhados que se enfrentam enquanto uma corrida futurística é narrada de maneira frenética, como se fosse um daqueles filmes “pipocão”, que já tiveram tantas continuações que a gente já nem se importa mais com a história, só quer saber da ação.

Mas, nesse quadrinho, as coisas não são tão previsíveis ou descartáveis assim. Nas últimas páginas, Salles desmonta a realidade que criamos para os personagens com a mesma velocidade que eles vinham pilotando seus carros, fazendo com que a história ganhe um significado completamente diferente.

Para resumir, Grand Prix Metanoia é um quadrinho surpreendente e cheio de ação. Mas se posso dar um conselho para quem ainda vai ler o gibi, diria que é bom usar capacete e se preparar para o impacto!

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