Review: O Mundo de Aisha

O Mundo de Aisha – A revolução silenciosa das mulheres do Iêmen foi lançada em 2015, chegou ao Brasil pela editora Nemo, e é uma dessas HQs que merecem mais reconhecimento do que já possuem.

Em 144 páginas com formato formato 17 x 24 cm, a obra retrata a vida e a rotina das iemenitas, que, além de serem obrigadas a casar cedo, ainda são escravizadas, violentadas e malvistas quando tentam garantir sua independência.

Apesar de narrar fatos pesados e muitas vezes chocantes, o quadrinho impressiona pelo entrosamento do roteiro e arte de Ugo Bertotti com as entrevistas e fotografias de Agnes Montanari. O resultado é uma leitura fluida, que te aproxima muito de uma realidade que nos parece tão distante.

Como os fatos são narrados pelos olhares de três mulheres diferentes, percebemos como a geração e as experiências de vida podem fazer com que as pessoas desenvolvam maneiras próprias de enxergar sua cultura e lutar por seu espaço.

Para Sabiha, protagonista do primeiro capítulo, o simples fato de se debruçar em sua janela sem o uso do niqab (véu que as mulheres usam para cobrir o rosto), já é um grande perigo e desafio às normas, mesmo que ninguém esteja olhando. No segundo capítulo, Hammeda nos conta todos os preconceitos e críticas que teve que enfrentar em sua jornada para se tornar uma grande empreendedora que sonha com uma vida mais agradável para seus netos.

Para finalizar, Aisha nos mostra que mesmo sendo pressionada para casar e desistir de seu emprego, ainda vale a pena lutar para que as próximas gerações de mulheres tenham melhores condições de vida, sem ignorar ou abrir mão de suas raízes muçulmanas.

O Mundo de Aisha – A revolução silenciosa das mulheres do Iêmen é um relato respeitoso que não só nos alerta sobre uma dura realidade, como também nos faz olhar com mais respeito para uma cultura que dificilmente é retratada com profundidade ou imparcialidade nas obras que costumamos ler por aqui.

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