Cassius Medauar comenta a nova fase da Conrad Editora

No início de junho, Cassius Medauar anunciou seu retorno à Conrad Editora como gerente editorial. Menos de 1 mês depois, os fãs já foram brindados com várias novidades na área de quadrinhos (Leia).

Com a consultoria de Guilherme Kroll, Medauar anunciou a publicação de títulos nacionais, gringos, físicos e digitais. E é claro, também retomou o contato com o público do jeito mais descontraído e transparente possível.

Se aproveitando desse contato todo, entrevistamos o Cassius para saber como ele está encarando essa nova fase da Conrad e o que os leitores podem esperar. Se liga!

Cassius Medauar edita o próximo volume de Calvin e Haroldo. Foto: arquivo pessoal

Pão Com Lixo: Como encarou essa oportunidade de voltar para a Conrad como gerente editorial, principalmente sabendo dos desafios que teria pela frente?

Cassius Medauar: Bom, tive que pensar bastante a respeito. Ao mesmo tempo que era uma ótima oportunidade de voltar a um dos lugares mais legais que já trabalhei, também era um desafio enorme de reconstrução. Mas acabei aceitando porque o coração falou mais alto e estou muito feliz por ter esta oportunidade de trabalhar de novo na Conrad.

PCL: Nesses primeiros meses de trabalho, você e o Guilherme já retomaram com força o contato com os leitores, via redes sociais e até mesmo lives. Qual a importância dessa proximidade com o público para a Conrad e para você pessoalmente?

CM: Acredito que ter proximidade com os leitores é algo fundamental para qualquer um, eu sempre achei isso importante porque era o que eu gostava de ter como leitor. Mas acho que isso se tornou uma verdade ainda maior hoje, com o advento das redes sociais, quando as pessoas estão muito acostumadas a interagir com editoras, empresas, pessoas famosas e o que mais for diretamente, além de todos terem pressa em saber de tudo rapidamente. 

PCL: Além de manter a publicação de Calvin e Haroldo e Gen Pés Descalços, vocês anunciaram (até o momento) 5 HQs nacionais. A intenção da Conrad é continuar dando prioridade para o nosso cenário de quadrinhos antes de buscar títulos internacionais? Por quê?

CM: Não, não é nossa intenção, são coisas que estão correndo em paralelo. Apenas as vezes é mais fácil fechar a publicação de títulos nacionais.

PCL: Se importaria de dividir alguns dos critérios de escolha para definir os títulos nacionais que entrariam para o catálogo nesse primeiro momento?

CM: Em geral isso é algo subjetivo. Qualidade da HQ (texto e desenho), o tamanho dela, o fato de fechar bem um ou mais arcos da trama em não tantos volumes, mas isso é apenas um básico. Cada HQ acaba tendo critérios particulares para ter sido escolhida.

Cassius Medauar e Guilherme Kroll – a dupla dinâmica da Conrad. Foto: reprodução.

PCL: Como você avalia a evolução do cenário nacional de quadrinhos independentes e qual a importância de oferecer a esses autores a republicação das obras por uma editora reconhecida em todo país?

CM: Acredito que hoje temos um belíssimo cenário independente no Brasil, com muitos artistas realmente muito bons e uma produção nacional fervilhante. Sobre publicar por uma editora, bom, acho que para alguns isso será algo bacana, mas não é necessariamente algo que todos queiram ou precisem. Tem muita gente publicando por conta própria ou financiamento coletivo e se dando muito bem com isso. Acho ótimo que hoje exista tantas maneiras de se publicar no Brasil.

PCL: Vocês estão investindo em vários conteúdos digitais. Acreditam que a leitura de HQs nesse formato deve se popularizar cada vez mais no Brasil?

CM: Eu acredito que já seja popular. Acho que o que falta é as pessoas entenderem que elas precisam pagar por esse conteúdo. Mas sim, acredito que mais e mais as pessoas vão ver a leitura digital como uma boa alternativa.

PCL: Tem mais algum ponto que não perguntei, mas ache interessante comentar?

CM: Bom, já anunciamos também dois títulos estrangeiros, a HQ Woman World, que conta de forma bem-humorada um mundo onde os homens pararam de nascer e só sobraram mulheres, e o livro Sigrid, um romance histórico de mitologia nórdica. É isso. Muito obrigado pelo convite.

Deixe uma resposta