Mestres Disney voltam a produzir HQs do Zé Carioca

No final de julho a editora Culturama anunciou que havia reunido alguns dos “mestres Disney” para produzirem novas HQs do Zé Carioca. Mais um golaço da editora que acolheu as histórias da Disney após deixarem a Abril.

Para quem é mais novo isso pode ser surpreendente, mas, durante décadas, as publicações do Pato Donald, Mickey e toda a turma foram os principais produtos da editora dos Civita.

A paixão dos brasileiros por esses personagens era tão grande que, no início dos anos 60, a Abril inaugurou o Estúdio de Criação Disney, onde fazia suas próprias histórias, para serem publicadas aqui e mundo afora.

Zé Carioca e Pato Donald
Zé Carioca estampava as capas da Abril muito antes de ganhar seu próprio título. Foto: reprodução

Segundo o livro O Império dos Gibis (escrito por Manoel de Souza e Maurício Muniz), até ser descontinuado em 1997, o Estúdio produziu cerca de 7 mil HQs, totalizando por volta de 70 mil páginas – todas com humor e estilo bem brasileiro, com traços que muitas vezes fugiam do padrão Disney.

Infelizmente, muita gente leu essas histórias sem ter a mínima ideia de que elas eram produzidas no Brasil. Por isso, quando a Culturama anuncia a produção de novas HQs do Zé Carioca, ela também contribui para a memória dos quadrinhos nacionais.

A editora também acertou em convidar veteranos dos Quadrinhos Disney para a criação das novas aventuras. No time estão Carlos Edgard Herrero, Moacir Rodrigues Soares e Luiz Podavin; o roteirista Arthur Faria Júnior; a colorista Cris Alencar; e o roteirista, desenhista e arte-finalista Fernando Ventura.

Zé Carioca na Culturama
Zé Carioca é o astro da próxima Aventuras Disney. Foto: divulgação.

Até o final do ano sairão pelo menos 4 histórias do Zé nas revistas Aventuras Disney, com a primeira sendo publicada em setembro (a edição já está em pré-venda aqui).

Aproveitei esse clima todo para fazer algumas perguntas ao editor Paulo Maffia, que também editou esses personagens na editora dos Civita. Se liga!

Pão Com Lixo: Como foi a sensação de descobrir que poderiam mesmo voltar a produzir quadrinhos do Zé Carioca e, mais do que isso, a sensação de criar o argumento de algumas histórias?

Paulo Maffia: Desde o meu primeiro contato com a Culturama, o Fabio Hoffmann (diretor da editora) disse que tinha o projeto de HQs nacionais Disney, então já era algo que estava desde sempre no DNA do projeto, algo natural para nós. Sobre criar o argumento, acho que este é o meu terceiro, é sempre um prazer, mas todo o crédito tem que ficar para os artistas, eu só dei a primeira ideia.

PCL: De quem partiu a ideia de retomar a produção com os “mestres Disney” e como foi a recepção deles ao receber esse convite?

Maffia: Foi minha, com o aval da equipe. Todos esses artistas são admiráveis e fazem um trabalho incrível, então pensamos neles desde o início. Inclusive, o próprio Moacir Rodrigues já tinha uma ligação especial com a Culturama. Foi ele que ilustrou a primeira coleção de livros da editora anos atrás. Quando os contatamos, todos ficaram emocionados com o convite e cientes do enorme desafio e responsabilidade que eles têm. Com o tempo, queremos dar oportunidades para novos talentos.

PCL: Como está sendo o processo de desenvolvimento e aprovação das histórias, ainda mais em isolamento social?

Maffia: Estamos há mais de um ano negociando com a Disney a volta das histórias nacionais. É um processo trabalhoso. Primeiro, todos os envolvidos tiveram que ser aprovados pela Disney, depois cada etapa da produção foi enviada para aprovação, desde o design de cada personagem e de suas roupas, passando pelos roteiros, desenhos, artes-finais, cor etc. São vários escritórios da Disney, em diferentes países, que participam deste processo de aprovação! Tudo, mas tudo mesmo, é feito com o máximo de cuidado e atenção, pois a Disney preza muito pela qualidade do conteúdo.

Zé Carioca - selo
O selo do Zé também passou pelo longo processo de aprovação. Foto: divulgação.

PCL: As histórias Disney produzidas no Brasil, de um modo geral, costumavam pender mais para o humor. Essa ainda vai ser a característica principal do Zé Carioca?

Maffia: Sim, a única exigência que a gente faz para os artistas é que as HQs têm que ser divertidas, muito divertidas!

PCL: Você já comentou algumas vezes que a Disney estava começando a ter mais apelo para os colecionadores do que para as crianças. Qual a importância de reconquistar o público infantil e como a Culturama está fazendo isso?

Maffia: Sem renovação de público, o mercado como um todo vai morrer, precisamos de novos leitores, não só pelo motivo comercial, mas também porque, a leitura, a educação podem mudar um país! Nossa intenção é fazer com que os quadrinhos e a leitura sejam parte da vida das pessoas. Para ler, a criança tem que ter acesso fácil ao quadrinho, à revista. Eles devem fazer parte do cotidiano e, para isso, contamos com o modelo arrojado de distribuição da Culturama. Além das já tradicionais bancas de revistas, a Culturama coloca suas publicações nas prateleiras de lojas de brinquedos, lojas de preço fixo, bazares, supermercados, farmácias etc.

Paulo Maffia terminou a entrevista agradecendo pelo carinho e confiança dos leitores e eu termino essa matéria desejando todo sucesso do mundo para o Zé Carioca nessa nova fase. Que o papagaio abra caminho para os outros personagens Disney!

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