Qual legado a CCXP Worlds nos deixou?

Ocorreu neste final de semana a CCXP Worlds, versão digital da Comic Con Experience que usou tecnologias de ponta para trazer 150 horas de programação para todos os tipos de nerds. Mais do que isso, essa edição trouxe lições valiosas para quem pretende organizar eventos durante (e após) esta pandemia de coronavírus.

A CCXP ocorre em São Paulo desde 2014 e é sempre um sucesso. Só em 2019, 280 mil pessoas estiveram presentes no evento, que reúne diversos artistas, atividades interativas e apresenta novidades dos cinemas, quadrinhos, games e o que mais você puder imaginar! É realmente épico.

Mas como manter esse nível de experiência em um ano em que, além de não podermos nos aglomerar por determinação das organizações de saúde, a maior parte das produções cinematográficas foi pausada e grandes lançamentos foram adiados?

CCXP Worlds logo

Se você achou que a resposta era só fazer lives, você errou feio. As transmissões ao vivo fizeram muito sucesso no primeiro mês de isolamento social, mas depois surgiram TANTAS lives que a galera foi perdendo o interesse e a audiência foi se dissipando entre os diversos canais. Segundo a plataforma Google Trends, a partir do mês de maio já houve uma queda de 20% nas buscas pelo termo “live.

Então vamos para de falar dos desafios e focar logo nos acertos da CCXP Worlds.

Acesso democratizado

Como você deve saber ou imaginar, os ingressos da Comic Con Experience são bem caros. Além disso, o valor das comidas e dos produtos que você encontra lá dentro não cabem no bolso de qualquer um, o que acaba fazendo com que esse evento não seja tão acessível.

Com a CCXP Worlds, além de liberar acesso gratuito para todos os dias do evento, o público também conseguiu acompanhar as atrações de qualquer lugar do mundo, sem precisar bancar uma viagem para São Paulo.

Claro que havia pacotes e experiências pagas, mas ainda era possível aproveitar tudo gastando muito menos do que no evento físico.

Interatividade

Confesso que não sei nem como mensurar quantos eventos virtuais aconteceram esse ano ao redor do mundo. Mas o que eu posso dizer com certeza é que 99,9% deles foram iguais: você entrava na página do evento, acompanhava as lives e acessava os links para comprar produtos. Uma experiência quase totalmente passiva.

Com isso em mente, a CCXP Worlds criou um mapa virtual 3D e navegável, onde era possível visitar 12 mundos diferentes: Thunder Arena, Oi Game Arena, Creators & Cosplay Universe, Omelete Stage by Santander, CCXP Store, Meet & Greet, Hollywood Strip, Chiaroscuro Studios, Iron Studios, Geek Hall, CCXP Tips e o Artists’ Valley (que falaremos logo mais).

Ter a possibilidade de escolher o que vai ver e até de interagir com amigos e artistas enquanto o computador emula a sensação de um evento presencial, já muda a cara do jogo.

CCXP Worlds - mapa

Artists’ Valley

O beco dos artistas sempre foi conhecido como o coração da Comic Con, mas a CCXP Worlds potencializou ainda mais a sua importância dentro do evento.

Enquanto a maioria dos palcos (ou mundos) exibiam lives com vários problemas técnicos e poucas novidades, o Artists’ Valley disponibilizou 536 mesas virtuais com artistas de 11 países. Ao visitar cada uma delas, era possível visualizar uma biografia do artista, sua programação no evento e acessar sua lojinha para comprar os produtos.

Muitos ilustradores e quadrinistas relataram boas vendas neste final de semana e perceberam que novas pessoas chegaram à sua loja virtual graças à CCXP. Sinal de que o público realmente aproveitou as ferramentas disponíveis para conhecerem e comprarem trabalhos novos.

CCXP Worlds - mesas virtuais

Como será em 2021?

Com as primeiras doses de vacina contra o COVID-19 chegando a alguns países, ainda é difícil dizer quando a vida voltará ao normal e como será esse normal. Muitas pessoas passaram a reavaliar as coisas que realmente importam em suas vidas, mudando hábitos de consumo e se readequando a uma renda mensal reduzida.

Passando mais tempo dentro de casa, o mundo também começou a enxergar os eventos virtuais com menos entusiasmo. Afinal, já passam muito tempo em frente ao computador, fazendo home office e dezenas de outras atividades.

E enquanto não podemos prever quando os eventos presenciais voltarão, já aprendemos com a CCXP Worlds que é possível inovar e entregar uma boa experiência para o público em qualquer circunstância, desde que haja planejamento e dedicação para entender o que as pessoas querem ver (principalmente se estiverem pagando por isso).

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