Relembrando Miss Fury e Tarpé Mills

Reservei esse post para homenagear a primeira super-heroína criada, roteirizada e desenhada por uma mulher: a Miss Fury, de Tarpé Mills (1912-1988).

Importante deixar bem claro que já existiam outras heroínas nos quadrinhos americanos, mas todas foram desenvolvidas por homens. Não surpreende que quando escreveu as primeiras histórias de sua personagem, em 1941, June Tarpé Mills escondeu seu gênero com o pseudônimo Tarpé.

E ter uma mulher como criadora não era o único diferencial de Fury. Sem uma história de origem triste, poderes fantásticos ou aparatos mega tecnológicos, a personagem era “apenas” uma socialite chamada Marla Drake, que não tinha a menor ambição de combater o crime ou algo do tipo.

Miss Fury - capa

As coisas começam a mudar quando Marla é convidada para uma festa à fantasia e resolve usar uma manta de uma pantera negra que seu tio trouxe da África. Durante o trajeto, a garota fica sabendo de um assassino fugitivo que está pelas redondezas e, é claro, acaba topando com ele.

Corajosa e com habilidades acrobáticas, Marla imobiliza tanto o assassino quanto o detetive que o perseguia. Nada de donzela em perigo por aqui!

No dia seguinte, os jornais retratam os seus feitos dando destaque para a sua roupa e a batizando de Black Fury (o nome original da heroína).

Os desenhos também eram notáveis. Como Tarpé havia trabalhado como modelo e ilustradora de moda, tinha um olhar muito diferente do que o mercado da época estava acostumado.

A Marvel, que até então se chamava Timely Comics, publicou apenas oito edições de Miss Fury e (pasme) todas venderam mais do que a Mulher Maravilha. Posteriormente, a Casa das Ideias se inspirou na heroína para criar a personagem Hellcat.

Já nos jornais, a carreira de Marla foi mais longa, sendo publicada até 1952. Uma pena que, com o passar dos anos, essa personagem tenha perdido destaque e seja lembrada apenas por quem é muito fã de histórias em quadrinhos.

Miss Fury - 2

No ano 2000, algumas de suas tiras ganharam reimpressão e você ainda pode comprar um livro com as suas histórias na Amazon, mas ele custa US$144,00. Nada acessível, né?

Felizmente, temos pesquisadores de histórias em quadrinhos aqui no Brasil que fazem trabalhos fantásticos e nos permitem descobrir muito mais informações sobre personagens como Miss Fury. É o caso de Jaqueline dos Santos Cunha, que em março de 2020 publicou um artigo excelente sobre a criação de Tarpé Mills. Leia aqui.

Curiosidade: Perri-Purr, o gatinho de Tarpé, apareceu em algumas histórias de Miss Fury

Em seu texto, Jaqueline lembra que durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres foram levadas a contribuir com sua mão de obra nos mais variados cargos, inclusive nas forças armadas e na produção de histórias em quadrinhos. Essa mídia, porém, funcionava como uma espécie de propaganda do tipo de mulher que os Estados Unidos precisavam para aquele momento. Papel que a heroína representa em suas aventuras.

Naquela época, acredito que nem os leitores e nem o próprio mercado de quadrinhos tinham se dado conta, mas o fato é que Tarpé Mills e Miss Fury estavam escrevendo um capítulo importante na história das HQs. Por isso, fica aqui o meu muito obrigado! Vocês são incríveis!

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