Timeline reúne tirinhas feitas por Zé Dassilva até 2013

Zé Dassilva, chargista no Diário Catarinense desde 1998 e também roteirista na TV Globo desde 2000, lançou o livro Timeline, que reúne quase 200 de suas tirinhas com histórias que viu e viveu até 2013.

Com formato 20,5 x 15,5 cm, 117 páginas e capa dura, Timeline está à venda por R$60,90.

Apesar de ter uma pegada autobiográfica, o autor deixa claro que este livro não é sobre ele, mas sobre as pessoas que ele foi. “Este livro também não foi feito por mim. Foi feito por uma pessoa que eu fui, há cerca de dez anos, quando produzi estas tirinhas”.

Timeline - Volume 1

Como eu sei que esse tipo de viagem interessa muito aos leitores do Pão Com Lixo, não desperdicei a oportunidade de bater um papo com Zé Dassilva sobre Timeline. Segue o conteúdo na íntegra:

Pão Com Lixo: Como eu também sou jornalista com paixão por diversos tipos de arte (apesar de não mandar bem em nenhuma), preciso começar com uma pergunta muito específica. Você também sente uma inquietude para se expressar em mídias diferentes? Como é o seu processo criativo e como você separa o que caberia melhor em formato de tira, em um roteiro para TV ou qualquer outro formato que você esteja interessado no momento?

Zé Dassilva: Essa pergunta lembrou uma frase do Art Spiegelman, que vi numa exposição dele: “Na época em que eu trabalhava com jornalismo, era mais fácil inventar”. Acho que a formação em jornalismo traz um jeito de ver o mundo, principalmente. E isso acaba influenciando na hora de contar histórias, mesmo na ficção. Algumas ideias podem servir pra mais de um lugar: uma piada de tirinha pode render o texto de uma cena em TV, por exemplo. Mas nem sempre. A ideia muitas vezes já pede onde quer ser usada.

Zé Dassilva - autor de Timeline

PCL: Você deixa bem claro que Timeline não é sobre você e também não foi feito por você, já que não é mais a mesma pessoa que era quando produziu as tiras. Qual a sensação de revisitar os trabalhos daquele Zé para essa publicação? Acha que ele tem algo para ensinar para o Zé de hoje?

Zé: Esse livro Timeline é o volume 1, que vai até 2013. Depois disso eu parei de beber, separei, perdi uns 20kg, enfim, parece que reencarnei ainda em vida. Mas vejo com leveza o conteúdo desse livro porque são histórias que precisei viver pra estar vivendo agora as que irão fazer parte do volume 2. Acho que o que esse livro tem a me ensinar é que temos que seguir em frente, estando de bem com o que vivemos. No caso do livro, é mais fácil eu conviver com as histórias do passado do que com o estilo de desenho que eu usava: tem uns traços que eu faria diferente hoje em dia, mas paciência, isso também serve como marca da época.

Tirinha - Zé Dassilva (Timeline)

PCL: Quando estava reunindo as quase 200 tiras que entrariam no livro, encontrou alguma pérola que já havia “esquecido” que tinha feito? Qual?

Zé: No caso das tirinhas sobre minha vida, eu lembrava de quase todas. Isso de esquecer acontece mais com as charges: eu publico diariamente desde agosto de 1998 no “Diário Catarinense” e, volta e meia, esbarro num cartum antigo e não consigo lembrar o assunto que inspirou aquele desenho. É que são tantas falcatruas de política, que uma atropela a outra. Se fizesse um livro com as charges que desenhei desde a época do FHC, precisaria de uma legenda contextualizando muitas delas.

PCL: Ver Timeline impressa, em uma edição toda caprichada, te deixa com alguma vontade de produzir as próximas tiras já pensando em como elas se encaixariam nos próximos volumes de timeline? Ou você vai só seguindo o fluxo natural das ideias?

Zé: Já tenho quase tudo pronto pro volume 2: será em outro estilo de desenho, já que também mudei o estilo de vida. Vai ser com artes no estilo Urban sketch, com textos ao lado dos desenhos, e não em tirinhas como é nesse. De 2013 pra cá, enchi vários cadernos com desenhos nesse formato, sempre retratando lugares e pessoas na hora. Só tem duas regras pra esses trabalhos: não vale usar lápis e tem que acabar na hora, no calor do momento, sem deixar pra finalizar em casa.

Zé Dassilva - tirinha de Timeline

PCL: Atualmente, nós temos um cenário muito rico de artistas que fazem sucesso postando tiras nas redes sociais? Tem alguém que você acompanhe?

Zé: Tem as referências clássicas, como Laerte e Adão. E tem muita gente vindo, também. Muitas mulheres, tipo Helô D’Ângelo, Paula Villar e Bruna Maia. E é sempre bacana descobrir alguém novo, tipo outro dia que passei a seguir @abaixadaegua, feita em João Pessoa por Antonio Dias, que me fez rir muito com a história de um gato e um pombo que são amigos e combinam uma viagem pra Buenos Aires.

PCL: Qual recado você deixaria para quem tem vontade de produzir as suas próprias tiras, mas talvez ainda não saiba por onde começar?

Zé: Que comece! Quanto mais cedo, melhor. Ainda mais que hoje em dia não se precisa mais ficar dependente de editoras ou jornais, é só botar na internet. Se der certo, vai ganhar likes. Se der muito certo, vai ganhar haters.

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